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Notícias - 07.03.19

Do V ao O, 10 coisas essenciais para saber sobre o vinho Argentino

A Argentina é um país de vinhos que vale a pena descobrir. Tanto para um apreciador expert como para o novato curioso, estas terras oferecem um mosaico tão amplo como apaixonante: enquanto um poderá afundar o nariz entre os aromas dos vinhedos mais altos do mundo, o outro flutuará sobre a mais grata das texturas amáveis. Qualquer que seja o caso, o que se deve saber sobre o vinho argentino, de V a O, são estas dez simples coisas:

O ESSENCIAL

Vinhedos de altura. No mundo, são raros os vinhedos situados em zonas de altura. É verdade que no Cáucaso ou na China há alguns, mas na Europa e América não são numerosos, exceto contadas exceções. A Argentina é uma delas, e oferece um terço de sua área plantada a partir dos mil metros de altitude com alguns vinhedos que atingem até 3.300 metros. Todo um recorde, claro, que outorga caráter a boa parte dos vinhos argentinos ao longo de mil quilômetros de cordilheira e montanhas.

Deserto e sol. A quase totalidade dos vinhedos argentinos estão em áreas desérticas e áridas, na zona de sombra de chuva da Cordilheira dos Andes. Assim como a altura define uma parte do terroir e o caráter dos vinhos, o deserto marca com o sol e suas condições extremas a outra parte do caráter.

Pureza. Nos desertos aos pés dos Andes, na própria Cordilheira, a natureza está intata. E essa pureza vem com a água de irrigação — condição obrigatória para o deserto— através de um extenso sistema de diversos canais que levam a água das geleiras até os pés das plantas.

Amantes do vinho. Os argentinos gostamos muito de vinho. De fato, se desafiamos o deserto e os Andes para conseguir melhores terroirs, é para encontrar novos e mais atrevidos sabores, que estimulem nosso paladar. Um dado em geral pouco conhecido é que Buenos Aires, a cidade capital, é a segunda do mundo no consumo de vinhos depois de Paris, ao passo que ocupamos um honroso sétimo lugar no consumo de vinho no mundo.

Longa e curta história. A paixão que os argentinos sentimos pelo vinho não é de agora. Por certo, em nosso território é elaborado desde o século XVI, primeiro de forma artesanal e depois, a partir do século XIX, também de maneira industrial. Isso explica que nosso país seja o quinto produtor de vinhos no mundo e que tenhamos desenvolvido gostos próprios — como o Malbec — que os consumidores informados, e os não tanto do resto do mundo, descobrem. Mas, cuidado: somos somente o nono exportador global (com 3% do share), porque bebemos 8 de cada 10 garrafas elaboradas. Em 1990 eram 10 de 10.

PARA SABER MAIS

Malbec por regiões. Uma das coisas mais interessantes que o vinho argentino tem hoje é a capacidade de comparar terroirs, já seja por altura, solos ou latitude. Desde o norte, com regiões como os Valles Calchaquíes ou a Quebrada de Humahuaca, até os oásis de Mendoza, como Valle de Uco ou Luján de Cuyo, e, mais ao sul, a Patagônia, o Malbec é uma variedade que oferece a chave para degustar os terroirs. Como? Em cada uma dessas zonas propõe um perfil diferente, e podem ser comparadas com somente provar o Malbec: estão os vinhos com corpo e os delgados, os que têm aroma de fruta vermelha madura e os que oferecem fruta fresca e negra, os florais, com diversos níveis de frescor. E assim, o bebedor de vinhos hoje pode viajar pela geografia do fim do mundo levado pelo Malbec.

Outras variedades. Mas não há somente Malbec na Argentina, embora seja a tinta mais plantada. Também é possível encontrar um bom número de outras uvas, desde a Cabernet Sauvignon à Syrah, da Tempranillo e a Bonarda à Pinot Noir nas tintas, e da Chardonnay à Sauvignon Blanc e Torrontés nas brancas. O interessante é que, em cada caso, os terroirs imprimem caráter diferenciado e um perfil próprio a cada variedade.

IG’s em ascensão. No caminho de isolar sabores por região, a partir de 1999 começou na Argentina um processo de definição de zonas vitícolas com critérios de terroir. Já em 2010 começaram a tomar forma indicações geográficas que antes não existiam no mapa do vinho: Paraje Altamira e Los Chacayes, no Valle de Uco, são algumas das mais famosas, mas não as únicas. Outras tantas estão por chegar, como San Pablo e Gualtallary, no mesmo vale de montanha. Assim, a regionalização do vinho também propõe conhecer sabores de terroir.

Os novos produtores. Neste momento de ebulição para o vinho argentino, há um grupo de novos e jovens produtores — entre 30 e 45 anos— que buscam definir estilos para o futuro. Fazem-no sob as bases de um par de séculos de desenvolvimento do terroir, mas pensando no mundo atual. Desta forma, começam a emergir vinhos já não só de vinhedos diferentes e extremos, mas também com novas técnicas para esta parte do mundo, como os vinhos laranja, os tintos de alta gama sem estágio ou com estágio em foudres, a exploração de técnicas como a maceração carbônica, a fermentação do grão inteiro e com engaço, entre muitas outras. Deste modo, hoje a Argentina oferece novos terrenos no tocante ao estilo.

Genética pré-filoxera. Algo pouco conhecido, ao mesmo tempo que estimulante para os consumidores de paladar afiado, é o fato de a Argentina ter um patrimônio genético pré-filoxera. A maioria das videiras importadas da Europa no tempo colonial e até meados do século XIX são plantas que depois desapareceram do velho continente. Para os pesquisadores das variedades, os vinhedos antigos da Argentina formam um acervo genético que garante a singularidade dos vinhos no futuro. Um dado um pouco nerd, devemos dizer, mas que estimula os bebedores entendidos com a promessa de velhos e novos vinhos por conhecer.

Por Joaquín Hidalgo.