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Notícias - 25.02.19

Quando visitar vinhedos na Argentina

As rotas do vinho argentino estão entre as mais escolhidas pelos winelovers: pela qualidade dos serviços que oferecem, porque cada região combina o enoturismo com atrativos naturais e porque podem ser desfrutadas o ano todo. Graças à generosidade da natureza e às condições climáticas, um percurso pela Argentina do vinho será uma viagem inesquecível. Claro que cada zona propõe  um programa diferente, não só pelas tarefas das vinícolas e vinhedos, mas também, e principalmente, pelo que pode ser feito no entorno. Em função de organizar uma próxima viagem à Argentina, mostramos a seguir a melhor época para visitar cada uma de nossas regiões.

Primavera-verão, Patagônia

No Sul, os vinhedos cobrem 3.600 hectares distribuídos entre La Pampa, Río Negro, Neuquén e Chubut. Uma área interessante para quatro províncias mais famosas por suas estações invernais que por seus vinhos. Falamos de Bariloche, La Hoya e Villa la Angostura, por mencionar somente as mais importantes, que as transformam em destinos muito escolhidos pelos amantes do esqui e do snowboard.

Mas a Patagônia também é reconhecida pelos Parques Nacionais como Los Alerces e Nahuel Huapi, os bosques de coihues e arrayanes, espelhos d'água como os lagos Gutiérrez, Traful e Puelo e muitos povoados e vilas de montanha que anualmente atraem milhares de turistas que buscam tranquilidade ou realizar alguma das tantas atividades que permitem desfrutar da natureza.

Mas outros chegam a estes recantos para se deleitarem com a gastronomia regional: destacam-se as carnes de cordeiro, cervo e javali, as trutas defumadas e os frutos do mar argentino como os caranguejos, os camarões e a truta preta, manjares que sempre harmonizam bem na companhia de uma taça de vinho que, se for patagônico, tanto melhor.

Para aqueles que planejam visitar a Patagônia para descobrir seus sabores e adentrar-se em seus vinhedos e vinícolas, recomendamos fazê-lo entre setembro e março, meses em que encontrarão os vinhedos mais austrais do país em plena atividade e que asseguram um clima ideal para caminhar entre as fileiras de vinhas com temperaturas moderadas e agradáveis, além de não correr risco de chuva ou nevada.

Inclusive, é boa época para aproveitar excursões por outros atrativos patagônicos como caminhadas pelo vulcão Lanín e por alguns cumes de montanha, pesca com mosca nos rios Limay ou Correntoso, e até visitar o deserto em busca de pegadas dos dinossauros que alguma vez habitaram esta inóspita região do planeta, programa para ser levado adiante na Villa El Chocón, Neuquén.

Outono e inverno, NOA

Os Valles Calchaquíes, no noroeste da Argentina, a cada ano seduzem mais visitantes. Atravessam as províncias vitícolas de Catamarca, Tucumán e Salta e formam uma região que, além de bons vinhos, assegura mais de trezentos dias de sol com clima seco e quente. Isso no verão. Mas, o outono e a primavera, quando as temperaturas do dia são de 20 graus em média e não há risco de chuva, são as estações ideais.

A altitude dos vinhedos, entre 1.700 e 3.000 metros, é um dos principais atrativos. Se bem confere noites frescas, inclusive no verão, este terroir de montanha também assegura uma insolação que deve ser levada em conta e exige proteger-se dos raios UV no mínimo com um boné ou chapéu. Essa é uma dica chave para as atividades ao ar livre, como cavalgadas pelas montanhas e quebradas ou excursões de turismo aventura, tanto pelos vales de cordilheira como pela estepe de altura que o Rally Dakar atravessa a cada ano.

Nesta época, pode-se ter acesso sem problema a vinícolas remotas, como Colomé e Tacuil, porque os caminhos não se cortam. E desde Cafayate a Cachi e depois à Cuesta del Obispo rumo a Salta capital, o único inconveniente possível é cascalho, que por sorte soma seu encanto agreste. Em Tucumán, próxima dos vinhedos, espera a Cidade Sagrada de los Quilmes com seus tesouros arqueológicos, ao passo que em Jujuy a Quebrada de Humahuaca também propõe um percurso enoturístico.

Igualmente, podem ser visitadas as regiões vitivinícolas de San Juan e La Rioja, situadas em Cuyo. Ambas as províncias, ao igual que Salta, desfrutam de um clima seco e quente e oferecem atrativos naturais incríveis, como o Parque Provincial Ischigualasto, em San Juan e o Cañón de Talampaya, em La Rioja.

Mendoza o ano todo

A principal província vitícola do país assegura atrativos turísticos durante os doze meses do ano. Essa condição a transforma em uma das dez regiões vitivinícolas do mundo em alcançar o reconhecimento de Great Wine Capital. Seus vales e montanhas não só albergam vinhedos e vinícolas abertas ao turismo como também são cenário de uma oferta inesgotável de atividades. Por exemplo, alguns anos, de junho a setembro, as estações de esqui Penitentes, Potrerillos e Las Leñas, congregam esquiadores que não deixam passar a ocasião para fazer uma parada nas vinícolas de passagem às pistas de esqui. Enquanto que na primavera e verão são os fanáticos do trekking, do ciclismo de montanha e dos esportes extremos os que aproveitam para explorar o Cordón del Plata, as Huayquerías, os cânions em San Carlos, ou bem rios como o Atuel e lagoas de altitude como a do Diamante. Isso sim, o planalto é quente nessa época.

Além disso, todo aquele que chega à província deveria visitar o Parque Aconcágua, onde está o cume mais alto da América, um ímã para os andinistas mais experimentados do mundo, com alguns percursos aptos para todo público.

Agora bem, quem tiver como único objetivo visitar a região vitivinícola mais extensa da América do Sul para conhecer seus vinhedos e vinícolas deve saber que na época da vindima, de janeiro a abril, os dias são muitos quentes, portanto, convém iniciar os passeios de manhã cedo ou depois do almoço. Este último pode ser aproveitado em algum dos tantos restaurantes de vinícola, como o da Familia Zuccardi em Maipú, Killka da Bodega Salentein no Valle de Uco, ou o de Bodega Séptima em Luján de Cuyo.

O outono é outra boa estação para chegar a Mendoza já que as temperaturas são mais amáveis e, com um agasalho, percursos podem ser feitos sem inconvenientes. No inverno, a temperatura é bem baixa, e inclusive pode haver jornadas com temperaturas abaixo de zero, mas a neve não é problema para o turista enológico pois as rotas não sofrem cortes nem inundações. A primavera talvez seja o momento ideal por seus dias mais longos e ensolarados com temperaturas muito agradáveis.

Qualquer que seja a época, a Argentina oferece ao viajante do mundo excelentes propostas para desfrutar enquanto descobre os segredos de seus vinhos. Trata-se de um circuito que demanda mais de uma visita e ao que se pode chegar em qualquer momento do ano sem medo de errar.

Por Alejandro Iglesias.